quarta-feira, 17 de junho de 2020

Tributo à Mulheres Ousadas!!!



Tributo à Mulheres Ousadas!!!

Nudez!!!

Que eu descubra nas palavras
a ternura do falar baixo como um convite à escuta,
a alegria de caminhar despretensiosamente
e ver passar o vento, as horas, o moço, o dia, a noite
e que as manhãs vindouras tragam a surpresa do novo dia

De aceitar a natureza corrosiva do tempo
que apesar de nossas diferenças somos tão iguais na solidão.

Perceber que a lagarta que passa não é ansiosa nem fica afoita com sua lenta mobilidade.

Aceitar que os naufrágios não me roubam minha ligação com o mar
que a minha vulnerabilidade, faz aumentar meu tamanho,
pensar que meus erros tão severos serenamente compõe a paisagem do que sou.

Que a gravidade faz cair uma e outra vez
e que a vida é afeiçoar o corpo ao perigo da queda.

Que eu escute pequenos sons cá dentro, meu pequeno garimpo,
minha inquietude de menina,
minhas arrelias de criança.

Que jogue a seriedade para o alto até vê-la dissolver no ar
que eu sempre sinta o gosto do gozo.

Que beijar é bom, que o beijo é livre
e que o amor não seja contaminado pela promiscuidade das mentes tacanhas.
Não é o sobre que dói, sim sobre como me liberto na dor,
que na renúncia estarei só, bebendo o risco de cada coisa.

Esta minha falta de recurso para aceitar partidas,
mas que no entanto, diante desta incompreensão me torno mais afetuosa.

Que eu seja digna na despedida, sem remorso, algumas coisas que precisam ir,
que este apego regado com fúria ceda espaço à novas travessias.

Que eu possa escolher onde me perder
que eu entenda a lição do fracasso,
algumas coisas perduram mais que minha opinião,
outras que desejo longevas, esfumaçam sem deixar vestígios
Tenho tantas urgências cá dentro nesta procissão do destino.
Uma parte de mim grita, outra acolhe
Uma parte é escuridão, outra faísca

Nesta matéria misteriosa a que chamamos vida
que a coragem não me falte
que barbárie não me paralise
que a revolta não diminua o afeto
que eu consiga me atirar no desconhecido

Que o inesperado traga ocasiões em que eu possa me despir
de tudo que me prende, tudo que me trava
e que eu tenha voz para sustentar minhas escolhas

Que na nudez eu tenha meu quinhão de silêncio e poesia...

Paulinho Almeida.
#TempodeVersos.
19.09.2.019.

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